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Como os Relacionamentos Interferem na sua vida


03 • 09 • 2018
por Janaína Leão

Oi meninas, tudo bem?

Sou curiosa e apreciadora dos relacionamentos interpessoais. Vocês sabiam que um dos maiores problemas da humanidade é a forma como as pessoas se relacionam? Somos complexos e em algumas situações, nossos próprios inimigos.

Você já parou para pensar que os relacionamentos acontecem entre pessoas estranhas que decidem ficar juntas (namorar, noivar, casar, ser amantes ou amigos, parceiros de trabalho etc.)? Cada pessoa tem sua forma de ver o mundo, sua cultura, suas crenças, seus valores, sua forma de sentir e de se posicionar… Ainda que pairem julgamentos sobre algumas relações, não existe certo ou errado, mas apenas acordos entre partes.

Quantas decepções você já teve porque o outro não o entendeu ou porque você esperava dele uma outra reação (muitas vezes sem deixar claro o que seria isso)?

Ter ligações próximas com os outros é vital para nossa saúde – mental, emocional ou física. Inclusive existem estudos (um importante foi feito pela Universidade de Chicago) que indicam que a solidão aumenta a pressão arterial e pode aumentar o risco de ataque cardíaco. O mesmo acontece nos relacionamentos negativos e disfuncionais: o sofrimento numa relação afeta o sistema imunológico e hormonal, segundo estudos da Ohio State University.

Vivemos uma epidemia de ansiedade e depressão. Há também estudos indicadores de que até 2025  a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. Certamente, a qualidade dos relacionamentos influencia nessa epidemia. Conflitos com a pessoa amada e relacionamento hostil são coisas que aumentam nossas dúvidas, geram dor e ressentimento, além de poderem diminuir a autoestima, causar isolamento e sensação de fracasso.

Por outro lado, os relacionamentos estáveis e positivos, segundo pesquisas, protegem-nos de estresse e ajudam-nos a enfrentar melhor os desafios da vida. Você sabia que segurar a mão da pessoa amada, além de gerar segurança, pode acalmar os neurônios que provocam turbulência no cérebro? O psicólogo Coan [APDM2] , da Universidade da Virginia, fez uma pesquisa com pacientes, enquanto elas passavam por uma ressonância magnética no cérebro. As pacientes foram submetidas ao seguinte teste: quando acendesse uma luz vermelha no aparelho, elas poderiam receber um pequeno choque elétrico nos pés, ou não. Essa informação ligava os centros de estresse no cérebro das pacientes. Todavia, quando os esposos seguravam suas mãos, as pacientes registravam menos estresse. A conclusão foi que o contato com a pessoa amada atua literalmente como um atenuador de estresse e dor, o que fez Coan afirmar que as pessoas que nós amamos são reguladores ocultos de nossos processos corporais e de nossa vida emocional.

Por fim, fica aqui o convite para você refletir sobre a qualidade dos seus relacionamentos e ter clareza que sobre o quanto eles impactam (in)diretamente em sua vida, seu emocional, sua cognição, seu ânimo, sua energia etc. Observe como suas emoções são impactadas diariamente por suas relações – se você puder faça um diário e escreva as emoções que você sentir, e o que levou você a elas.

Na próxima coluna daremos continuidade ao assunto.

Beijos e ótima semana!

Janaína Leão: Psicóloga e Coach

@psicologa_coach   |    janaina@janainaleao.com.br     |    www.janainaleao.com.br

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Quando a solidão deixa de ser natural?


07 • 05 • 2018
por Janaína Leão

Oi meninas, tudo bem com vocês?

Vivemos rodeados de informações e muitas vezes fugimos do contato interno por uma escolha (in)consciente. Somos seres humanos sociais, alguns com mais contatos, outros com menos, mas não isolados. A conexão social faz parte da vida e preservá-la nos traz interação social, senso de pertencimento e aprendizado.

Sentir-se só é um sentimento presente na vida de todos e até certo ponto necessário – para autoconhecimento, autodesenvolvimento, reflexões e encorajamento.

Para algumas pessoas o sentimento de solidão é passageiro e para outras pode se tornar crônico.

Estar só é uma escolha consciente e tem a ver com objetivo, desejo… Morar sozinho, fazer uma viagem, praticar atividade física, ir a um restaurante para curtir a sua própria companhia, ter momentos de reflexão, autoconhecimento etc. Todas essas são situações em que a ausência de outra pessoa é algo benéfico. Estamos falando de uma emoção positiva que representa independência, crescimento e maturidade.

Solidão é isolamento, sensação de vazio, que muitas vezes ocorre de maneira inconsciente, ou seja, a pessoa vai se afastando dos outros aos poucos, aumenta a dificuldade de formar vínculos e se isola. Em outros casos, pode estar rodeada de gente e ainda assim se sentir isolada.

A solidão não tem a ver com o número de conhecidos e amigos, e sim com a qualidade das nossas relações. Conectar-se com o outro, compartilhar experiências, sentimentos e planejar objetivos, geram conexões. Você pode estar em um ambiente cheio de pessoas e desconectado delas. É muito comum pessoas famosas relatarem o sentimento de solidão.

Em alguns casos, a solidão é um sintoma que pode estar relacionado com rejeição, abandono, insegurança, sensação de inutilidade, baixa autoestima. Fatores externos também podem causá-la, como a morte de uma pessoa próxima, alguma mudança – de trabalho, de cidade, de estado civil (principalmente se isso acarreta algum tipo de separação, como no caso de divórcio ou viuvez)…

Pesquisas na Europa e nos EUA evidenciam que pessoas que se isolam costumam beber e fumar mais, praticam menos exercícios, dormem mal, correm risco 50% maior de ter morte prematura em relação àquelas que mantêm uma vida amalgamada à de outras pessoas, e também apresentam riscos maiores de ter problemas cardiovasculares e derrames.

Quando a solidão deixa de ser natural?

É necessário verificar o grau de intensidade, frequência e prejuízos relacionados ao isolamento. Pensamentos como “antes eu não era assim”, “desde quando estou com esse sentimento?”, ou “o que ocorreu ou mudou na minha vida?” devem ser levados em conta nessa análise.

A solidão crônica pode ser um indicativo de depressão, ansiedade generalizada, psicose e submissão a bullying.

Fique atento ao seu padrão de pensamento e comportamento. Geralmente, quem vive na solidão acaba distorcendo a própria atitude e a do outro, não reconhece o seu isolamento e acredita que os outros se distanciam. Quando um comportamento começa a ser repetitivo em outras áreas da sua vida, olhe para si e perceba o que você está fazendo para que isso ocorra.

E lembre-se de que existe uma diferença entre solidão e depressão. Solidão é um conjunto de sentimentos negativos – rejeição, abandono, inutilidade, insegurança – que surge a partir de situações do dia a dia. Importante deixar claro que ninguém nasce com sentimento de solidão – ele é construído. A depressão, por outro lado, é uma psicopatologia que se manifesta na vida da pessoa e inclui muitos outros sintomas além da solidão, como falta de motivação, apatia, irritabilidade, profunda tristeza, ansiedade, esquecimento, falta de prazer, cansaço, pessimismo.

Estar só é uma escolha. Sentir-se sozinho faz parte da vida. Agora, buscar o isolamento é sintomático.

Boa reflexão!!!

Beijos e até a próxima coluna,

Janaína Leão: Psicóloga e Coach

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