A arte de contar histórias para crianças


28 • 03 • 2016
por Maria Rudge

Oi meninas, tudo bem??
Ano passado trouxe um tema super legal para vocês, a musicalização infantil, lembram?! Nesse post, conversei com a professora Débora Munhoz, especialista no assunto, que explicou a importância do som para todos, desde pequenos.
Pensando nas melhores atividades para as crianças, ela me contou como contar histórias influencia no nosso desenvolvimento… Achei super interessante e não poderia deixar de compartilhar com vocês o texto que ela escreveu!! Espero que gostem:
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Débora e a filha, Ana Beatriz.

Contar histórias é sem dúvida uma das formas de comunicação mais antigas que existem. Boas histórias passam de geração em geração e são capazes de mostrar e guardar a cultura de uma nação, além de não deixar morrer conhecimentos e valores. Apesar do avanço das tecnologias, contar histórias continua sendo uma das formas mais eficientes de promover à aprendizagem, a reflexão, a descoberta e também de conectar as pessoas. Um bom contador de histórias geralmente é a pessoa que recebe mais atenção no grupo de amigos, repare.
Todos nós podemos desenvolver a habilidade de contar histórias se praticarmos. E já que estamos afirmando que uma história tem o poder de estabelecer vínculos e ajudar no desenvolvimento, porque não utilizar essa arte com nossos filhos desde cedo?
livros-para-gestantes Especialistas garantem que essa atividade pode se iniciar durante a gestação, pois além de acalmar a gestante, o feto já é capaz de ouvir e perceber pela audição (que já está apta a partir do quinto mês de vida intra uterina) a entonação da mãe, a cadência das palavras e o ritmo que ela fala. Através dos sons das palavras, circuitos neurais são construídos. Hoje sabemos que a aprendizagem começa antes mesmo de nascermos.
Já dizia Paulo Freire:A leitura do mundo antecede a leitura das palavras”, o que quer dizer que antes de começar a ler os símbolos, é importante que a criança tenha convivido com pessoas que conversem com ela, traduzam o mundo pra ela, no sentido de permitir que vivencie experiências, de acordo com as necessidades e interesses dela e da faixa etária que pertence. Contar histórias é sem dúvida uma das formas mais eficientes de traduzir o mundo para a criança, pois nos permite conhecer personagens, visitar lugares, vivenciar e lidar com emoções e nos ensinam nas entrelinhas, favorecendo o desenvolvimento da narrativa, na imaginação e na criação de imagens.
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(Fotos: Divulgação)

Cada faixa etária necessita de estratégias para captar a atenção e motivar a criança em participar da história. Seguem algumas dicas:

  1. A história exige concentração, portanto procure um lugar acolhedor e silencioso. Desligue o celular e dedique este tempo exclusivo para seu filho. Observe também os melhores horários para contar história: depois do jantar, no final da tarde, na hora de dormir…teste e observe quais os momentos melhores para a contação de histórias.
  1. Com bebês até 8 meses, utilize livros resistentes, livros de banho e procure criar um texto de acordo com as figuras que aparecem no livro. Ex: Olhe o gatinho. Ele está na caixa. Vamos fazer carinho no gatinho? O gatinho faz: MIAU. Cante canções dos personagens que aparecem também. Ex: Borboletinha está na cozinha (canção folclórica) quando aparecer uma borboletinha
  1. A partir dos 8 meses, a criança provavelmente já senta sem apoio, já está refinando sua coordenação e, suas emoções também estão mais evidentes. Livros com texturas são muito interessantes nesta idade, porém os textos devem ser bem curtinhos, com objetos e fatos que pertençam ao cotidiano da criança. Animais estão entre os temas prediletos. Retrate o ambiente sonoro da cena. Você pode imitar os sons dos personagens, cantar uma música que represente a cena, representar cada personagem através de um instrumento musical, enfim, use sua criatividade! De forma gradual, através destas atividades, serão estabelecidas as conexões cerebrais que relacionam as palavras com o objeto, desenvolvendo a imaginação, memória, além de introduzi-lo no convívio social. A criança nesta fase, ainda não entende a muito bem a estrutura de seqüência. Procure dar ênfase na leitura das imagens, porém contando a história de forma sucinta com começo, meio e fim.
  1. A partir dos 2 anos, as histórias continuam curtas, porém podemos dar mais ênfase a seqüência dos fatos, pois nesta faixa etária, as crianças começam a demonstrar mais concentração. Utilize figuras grandes com textos pequenos e traga histórias que trabalhem situações que a criança possa estar vivenciando (o desfralde, por exemplo). Converse com ele durante a história e pergunte o que ele acha que vai acontecer. Faça algumas pausas. Capriche na expressão facial. Criança adora surpresa e suspense.
  2. A partir dos 3 anos e até um pouco antes disso, a criança já apresenta o interesse pelas brincadeiras de faz-de-conta e demonstra a capacidade de representar coisas ou situações não presentes. A criança naturalmente começa a imitar ações rotineiras, depois ações de pessoas próximas e, através destas brincadeiras, os pequenos expõem seus sentimentos, frustrações e vontades. É interessante notar como a evolução das histórias, da brincadeira e da linguagem caminham juntas. Uma auxilia no desenvolvimento da outra. As famílias podem trazer bonecos, objetos, elementos diversos para dramatizar histórias como a “Linda Rosa Juvenil”, por exemplo. Depois, a criança pode dramatizar com os fantoches para os adultos. Dramatizando, a criança se expressa com a linguagem verbal, gestual e facial, tornando a atividade mais complexa e desafiadora, além de iniciar a aprendizagem de normas sociais, pois é necessário esperar sua vez para interagir conforme a história vai acontecendo. Enfim, existem muitas possibilidades para estimular o desenvolvimento de seu filho de uma forma divertida. É necessário, porém, disposição, muita pesquisa, paciência e organização para o preparo das atividades.
  3. A partir desta fase, é importante também que o adulto compartilhe com a criança, fatos que vivenciou, compartilhar experiências e deixar que ela também conte suas próprias histórias. Ouvir ativamente, respeitando o tempo do outro, cria laços afetivos profundos. Nossa história também é uma narrativa e é muito importante este dialogo entre pais e filhos. Relate suas experiências com o objetivo de estabelecer vínculos pessoais. Conte-a com afeto e coloque seu coração nela. Conte uma história em vez de apenas descrever fatos. Dessa forma, você poderá transmitir seu ponto de vista de uma forma muito mais impactante para a criança.

Conforme a criança for crescendo procure incentivá-la a contar e ler histórias pra você e diversifique os temas dos livros, deixe que ela escolha também (de acordo com sua orientação) para que ela possa ampliar seu vocabulário e no futuro tenha maior compreensão para o entendimento nas diversas áreas de conhecimento. Ensine-a também a cuidar do livro e tratá-lo com respeito.

Outros recursos importantes:

  • Quanto menor é a criança, mais importantes são os recursos visuais, sejam fantoches, dedoches, bichinhos de pelúcia, etc. A criança bem pequena, ainda está construindo seu repertório de imagens. Por serem concretos, estes objetos promovem uma maior interação dela com a história proposta.
  • Caixas surpresas com os objetos que aparecem na história são muito interessantes e criam momentos de suspense e mais emoção à história, contribuindo também para que a criança memorize a seqüência dos fatos da narrativa.
  • Conte histórias que você goste, que te faça se sentir confortável e entusiasmado. Escolha narrativas na qual você se identifique de alguma forma.
  • Não se esqueça da expressão gestual. Já dizia o famoso historiador e antropólogo Luis da Câmara Cascudo: “Com as mãos amarradas não há criatura vivente para contar uma história”.
  • Seja expressivo tanto nos gestos, quanto na sua expressão vocal. Tente imaginar a situação, como é a vida e o sentimento deste personagem e dramatize, para que a criança se envolva, possa entender e a narrativa faça ainda mais sentido.

Os benefícios para a criança que tem o privilégio de ter pais contadores de histórias são muitos. Momentos de afetividade, desenvolvimento na inteligência emocional e cognitiva da criança, ampliação de vocabulário e imaginação, etc. Histórias ficam na memória e quando mexem com nossa emoção (seja positiva ou negativa), jamais são esquecidas.
É como disse sabiamente a escritora e professora Elvira Drummond:Contar histórias, é antes de tudo, um ato de amor. Um meio de ler o mundo para as crianças adverti-las quanto aos perigos, falar de sentimentos, do que as pessoas gostam e do que lhes é incômodo. É um convite a aventura do viver
Que tal transformar a partir de hoje o momento da história, em uma rotina na sua família?
Assim, seu filho associará o prazer da sua companhia ao prazer de ler e ouvir histórias e certamente aumentará seu interesse pelos livros e pela leitura também, o que é maravilhoso, pois quanto mais lemos, mais recebemos conhecimento. Certamente, fortes laços familiares serão criados e fortalecidos em meio a um ambiente de afeto, deixando memórias positivas e preciosas entre vocês. O universo é feito de histórias. Conte uma boa história!!!
Minha dica é a história com instrumentos musicais que fiz com ajuda da minha filha, Ana Beatriz, é fácil e super divertida, confiram:

Beijos, prof. Débora Munhoz Barboni.
Gostaram?? Para quem quiser saber mais, a Débora é formada em Artes e pós graduação em Psicopedagogia e Educação Infantil. Possui uma página no facebook chamada: Cantinho Musical
Beijos, Maria

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