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Quando a solidão deixa de ser natural?


07 • 05 • 2018
por Janaína Leão

Oi meninas, tudo bem com vocês?

Vivemos rodeados de informações e muitas vezes fugimos do contato interno por uma escolha (in)consciente. Somos seres humanos sociais, alguns com mais contatos, outros com menos, mas não isolados. A conexão social faz parte da vida e preservá-la nos traz interação social, senso de pertencimento e aprendizado.

Sentir-se só é um sentimento presente na vida de todos e até certo ponto necessário – para autoconhecimento, autodesenvolvimento, reflexões e encorajamento.

Para algumas pessoas o sentimento de solidão é passageiro e para outras pode se tornar crônico.

Estar só é uma escolha consciente e tem a ver com objetivo, desejo… Morar sozinho, fazer uma viagem, praticar atividade física, ir a um restaurante para curtir a sua própria companhia, ter momentos de reflexão, autoconhecimento etc. Todas essas são situações em que a ausência de outra pessoa é algo benéfico. Estamos falando de uma emoção positiva que representa independência, crescimento e maturidade.

Solidão é isolamento, sensação de vazio, que muitas vezes ocorre de maneira inconsciente, ou seja, a pessoa vai se afastando dos outros aos poucos, aumenta a dificuldade de formar vínculos e se isola. Em outros casos, pode estar rodeada de gente e ainda assim se sentir isolada.

A solidão não tem a ver com o número de conhecidos e amigos, e sim com a qualidade das nossas relações. Conectar-se com o outro, compartilhar experiências, sentimentos e planejar objetivos, geram conexões. Você pode estar em um ambiente cheio de pessoas e desconectado delas. É muito comum pessoas famosas relatarem o sentimento de solidão.

Em alguns casos, a solidão é um sintoma que pode estar relacionado com rejeição, abandono, insegurança, sensação de inutilidade, baixa autoestima. Fatores externos também podem causá-la, como a morte de uma pessoa próxima, alguma mudança – de trabalho, de cidade, de estado civil (principalmente se isso acarreta algum tipo de separação, como no caso de divórcio ou viuvez)…

Pesquisas na Europa e nos EUA evidenciam que pessoas que se isolam costumam beber e fumar mais, praticam menos exercícios, dormem mal, correm risco 50% maior de ter morte prematura em relação àquelas que mantêm uma vida amalgamada à de outras pessoas, e também apresentam riscos maiores de ter problemas cardiovasculares e derrames.

Quando a solidão deixa de ser natural?

É necessário verificar o grau de intensidade, frequência e prejuízos relacionados ao isolamento. Pensamentos como “antes eu não era assim”, “desde quando estou com esse sentimento?”, ou “o que ocorreu ou mudou na minha vida?” devem ser levados em conta nessa análise.

A solidão crônica pode ser um indicativo de depressão, ansiedade generalizada, psicose e submissão a bullying.

Fique atento ao seu padrão de pensamento e comportamento. Geralmente, quem vive na solidão acaba distorcendo a própria atitude e a do outro, não reconhece o seu isolamento e acredita que os outros se distanciam. Quando um comportamento começa a ser repetitivo em outras áreas da sua vida, olhe para si e perceba o que você está fazendo para que isso ocorra.

E lembre-se de que existe uma diferença entre solidão e depressão. Solidão é um conjunto de sentimentos negativos – rejeição, abandono, inutilidade, insegurança – que surge a partir de situações do dia a dia. Importante deixar claro que ninguém nasce com sentimento de solidão – ele é construído. A depressão, por outro lado, é uma psicopatologia que se manifesta na vida da pessoa e inclui muitos outros sintomas além da solidão, como falta de motivação, apatia, irritabilidade, profunda tristeza, ansiedade, esquecimento, falta de prazer, cansaço, pessimismo.

Estar só é uma escolha. Sentir-se sozinho faz parte da vida. Agora, buscar o isolamento é sintomático.

Boa reflexão!!!

Beijos e até a próxima coluna,

Janaína Leão: Psicóloga e Coach

@psicologa_coach   |    janaina@janainaleao.com.br     |    www.janainaleao.com.br

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