,

Acordos conjugais: Por que e como criar?


01 • 10 • 2018
por Janaína Leão

Olá a todos,

Quando um bebê nasce, é muito importante para ele sentir, através do olhar e do toque, que é cuidado e protegido. É assim que ele vai construir vínculos e aprender a se sentir seguro. Como não somos seres perfeitos e sempre erraremos em alguns pontos, seja por excesso ou falta, naturalmente em alguma situação nos sentiremos inseguros, o que, até certo ponto, faz parte da vida.

Para evitar a sensação de insegurança, criar pactos e acordos é necessário no processo de vincular-se com o outro. Nas relações românticas, é importante prestar atenção no parceiro, para entender como ele se sente, como se percebe, o que pensa sobre estar só e sobre a solidão. É necessário criar um espaço entre o casal, livre de julgamentos; um lugar em que cada um possa ser quem é, individualmente, com regras criadas  levando, em conta a forma de sentir, a percepção e o comportamento de cada um, bem como as respectivas crenças, valores, pontos a melhorar, postura e cultura.

Por que criar acordos conjugais?

Antes de refletir sobre essa pergunta, pense em quantas vezes seu parceiro(a) a surpreendeu fazendo algo que você não imaginava ou desconhecia. Pense em quantas vezes você achou que ele(a) gostaria de tal coisa e a resposta foi bem diferente. Quantas vezes você já discutiu por algo que acreditava ser óbvio que o outro faria, mas isso não aconteceu? Quantas vezes você pensou em dividir tarefas, mas não se sentiu à vontade para sugerir isso? Quantas vezes ele(a) saiu para um happy hour e voltou muiiiiito mais tarde do que o horário que você imaginou ser adequado?

É preciso estabelecer uma conversa clara e coerente sobre, por exemplo, atividades que precisam ser divididas em casa, com filhos, mercado, escola, almoço, jantar, estudos, compromissos pessoais, divisão financeira acordos de horários em caso de happy hour, festas, despedida de solteiro, viagens.

Mas por que criar regras?

O primeiro ponto é para minimizar conflitos, ampliar a intimidade, promover a comunicação e dar espaço para o outro ser quem é, demonstrar suas vontades e não criar uma relação de submissão. Aqui entrará a capacidade de os parceiros se admirarem além do profissional, o que garantirá maior intimidade. O casal precisa entender que quando escolhe dividir a vida passa a formar um par e é necessário contribuir, gostando ou não, principalmente para aumentar a vinculação. Já passou a época em que casais se vinculavam apenas por questão financeira/ estabilidade, ter filhos ou ter uma mulher que cuida da casa. Atualmente, os casais estão cada vez mais dividindo as responsabilidades para somar e multiplicar na relação como casal e também individualmente, pois estão aprendendo que a suas capacidades combinadas são bem maiores.

Então, como criar os acordos?

O casal precisa estar disposto a criá-los e, principalmente, a segui-los, lembrando que o bom senso e exceções devem sempre existir. De tempo em tempo – a cada 6 meses ou 1 ano –, todos os acordos podem ser revisados, pois o objetivo não é a regra em si, mas a fluidez entre o casal. Não se trata de regras rígidas, fechadas, estilo programação de máquinas; e sim, de acordos que vão servir para facilitar a vida em comum.

O ponto principal, como sempre falo para os casais que eu atendo, é jogar frescobol, conforme a mensagem de Rubem Alves, que transcrevo:

“O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois percam. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha.”

Espero que vocês tenham gostado dessa nossa conversa e consigam elaborar seus acordos, para desenvolver suas relações de forma saudável e companheira.

Beijos e ótima semana!

Janaína Leão: Psicóloga e Coach

@psicologa_coach   |    janaina@janainaleao.com.br     |    www.janainaleao.com.br

Comente