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Onde está escrito? Mulheres reais!


17 • 10 • 2018
por Janaína Leão

Olá meninas,

Onde está escrito que mulher tem que ser forte, tem que aguentar dores, tem que fazer várias coisas ao mesmo tempo, tem que ganhar muito dinheiro, tem que estar impecável, magra, sarada, bem vestida, de salto, maquiada, cabelo e unhas impecáveis? Onde está escrito que a mulher tem que engravidar, tem que ter filhos e ainda tem que escolher parto normal? Ah! Na hora da amamentação, caso o leite seque, a culpa também é da mulher que não se preparou direito para essa fase.

Mulheres são incansáveis e precisam ser superlativas, seguindo o padrão que a sociedade impõe. Quem disse que uma mulher só se torna mulher se tiver tudo isso? Quando mais penso a respeito, mas reflexiva eu fico quanto àquilo que é IMPORTANTE e faz SENTIDO para mim.

Não sei você, mas eu tenho me cansado desses estigmas que ao meu ver geram sofrimento, excesso de cobrança, intolerância, competitividade e ainda adoecimento mental – depressão, transtornos de ansiedade, transtornos alimentares e etc.

 Todos os dias eu atendo mulheres que invariavelmente se comparam com alguma foto de rede social. Criam  fantasias e querem aquilo para elas, independentemente de isso ser viável ou não. Sim, hoje, nos deparamos com a fragilidade e a insegurança que ameaçam e rondam a vida de todas as pessoas. Causam adoecimento mental – ainda mais somadas a tudo aquilo que DIZEM que uma mulher tem que fazer.

TODA MULHER É MARAVILHOSA DO JEITO QUE ESCOLHE SER e não no padrão de uma sociedade que exige o infinito. Não caia nessa armadilha. Você é você, linda do jeito que é. Tem coisa mais linda que admirar a naturalidade? Você já fez isso? É fato: somos ASSIMÉTRICAS E IMPERFEITAS e isso nos torna únicas.

Sempre que atendo uma gestante, por exemplo, está explícita a cobrança por parto normal – mesmo para aquelas que já ESCOLHERAM CESÁREA. Essa cobrança é tão grande que, se o filho não nascer de parto normal, a mulher parece que será menos mãe. Também, com frequência, atendo mulheres que estão em conflito em relação a ter ou não um filho. A questão da idade para mulher que quer gerar é um fato, porém, para quem quer ser mãe, existem várias formas de alcançar o objetivo. Uma coisa é querer gerar dentro do seu corpo, outra é querer ser mãe, não importa como a criança chegue. Sim, estamos no século 21 e precisamos também conversar sobre outras maneiras de maternidade, afinal toda mulher é dona do seu corpo e TEM O DIREITO DE EXPOR SEU DESEJO de ser mãe ou não.

Você não é mais nem menos mulher se não fizer o que está instituído que uma mulher tem que fazer. Você é você, com seu corpo, sua voz, seu limite, sua aceitação e, principalmente, seu momento.

Olhe para si, do seu jeito, e aprenda a construir uma autoimagem linda e maravilhosa, até porque só você sabe das suas dores.

Ah, homens, ajudem-nos a construir uma sociedade menos padronizada, sem que as mulheres precisem ser categorizadas em bonitas ou feias, gordas ou magras, com peito pequeno ou grande… Garanto que a principal beleza feminina é a interna.

Gostou? Compartilhe! Faça a diferença na vida de uma mulher.

Um beijo,

Janaína Leão: Psicóloga e Coach

@psicologa_coach   |    janaina@janainaleao.com.br     |    www.janainaleao.com.br

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Acordos conjugais: Por que e como criar?


01 • 10 • 2018
por Janaína Leão

Olá a todos,

Quando um bebê nasce, é muito importante para ele sentir, através do olhar e do toque, que é cuidado e protegido. É assim que ele vai construir vínculos e aprender a se sentir seguro. Como não somos seres perfeitos e sempre erraremos em alguns pontos, seja por excesso ou falta, naturalmente em alguma situação nos sentiremos inseguros, o que, até certo ponto, faz parte da vida.

Para evitar a sensação de insegurança, criar pactos e acordos é necessário no processo de vincular-se com o outro. Nas relações românticas, é importante prestar atenção no parceiro, para entender como ele se sente, como se percebe, o que pensa sobre estar só e sobre a solidão. É necessário criar um espaço entre o casal, livre de julgamentos; um lugar em que cada um possa ser quem é, individualmente, com regras criadas  levando, em conta a forma de sentir, a percepção e o comportamento de cada um, bem como as respectivas crenças, valores, pontos a melhorar, postura e cultura.

Por que criar acordos conjugais?

Antes de refletir sobre essa pergunta, pense em quantas vezes seu parceiro(a) a surpreendeu fazendo algo que você não imaginava ou desconhecia. Pense em quantas vezes você achou que ele(a) gostaria de tal coisa e a resposta foi bem diferente. Quantas vezes você já discutiu por algo que acreditava ser óbvio que o outro faria, mas isso não aconteceu? Quantas vezes você pensou em dividir tarefas, mas não se sentiu à vontade para sugerir isso? Quantas vezes ele(a) saiu para um happy hour e voltou muiiiiito mais tarde do que o horário que você imaginou ser adequado?

É preciso estabelecer uma conversa clara e coerente sobre, por exemplo, atividades que precisam ser divididas em casa, com filhos, mercado, escola, almoço, jantar, estudos, compromissos pessoais, divisão financeira acordos de horários em caso de happy hour, festas, despedida de solteiro, viagens.

Mas por que criar regras?

O primeiro ponto é para minimizar conflitos, ampliar a intimidade, promover a comunicação e dar espaço para o outro ser quem é, demonstrar suas vontades e não criar uma relação de submissão. Aqui entrará a capacidade de os parceiros se admirarem além do profissional, o que garantirá maior intimidade. O casal precisa entender que quando escolhe dividir a vida passa a formar um par e é necessário contribuir, gostando ou não, principalmente para aumentar a vinculação. Já passou a época em que casais se vinculavam apenas por questão financeira/ estabilidade, ter filhos ou ter uma mulher que cuida da casa. Atualmente, os casais estão cada vez mais dividindo as responsabilidades para somar e multiplicar na relação como casal e também individualmente, pois estão aprendendo que a suas capacidades combinadas são bem maiores.

Então, como criar os acordos?

O casal precisa estar disposto a criá-los e, principalmente, a segui-los, lembrando que o bom senso e exceções devem sempre existir. De tempo em tempo – a cada 6 meses ou 1 ano –, todos os acordos podem ser revisados, pois o objetivo não é a regra em si, mas a fluidez entre o casal. Não se trata de regras rígidas, fechadas, estilo programação de máquinas; e sim, de acordos que vão servir para facilitar a vida em comum.

O ponto principal, como sempre falo para os casais que eu atendo, é jogar frescobol, conforme a mensagem de Rubem Alves, que transcrevo:

“O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois percam. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha.”

Espero que vocês tenham gostado dessa nossa conversa e consigam elaborar seus acordos, para desenvolver suas relações de forma saudável e companheira.

Beijos e ótima semana!

Janaína Leão: Psicóloga e Coach

@psicologa_coach   |    janaina@janainaleao.com.br     |    www.janainaleao.com.br

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